sábado, 23 de dezembro de 2017

Sobolos rios que vao - Poema - Luís Vaz de Camões - Poesia

   



   

Sobolos rios que vao - Luís Vaz de Camões


Sôbolos rios que vão
Por Babilônia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei.

Ali, o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E, tudo bem comparado,
Babilônia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali, lembranças contentes
Na alma se representaram;
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes
Como se nunca passaram.

Ali, depois de acordado,
Co rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado
Não é gosto, mas é mágoa.

E vi que todos os danos
Se causavam das mudanças
e as mudanças dos anos;
Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças.

Ali vi o maior bem
Quão pouco espaço que dura;
O mal que depressa vem,
E quão triste estado tem
Quem se fia da ventura.

Vi aquilo que mais vale,
Que então se entende milhor,
Quando mais perdido for;
Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior.

E vi com muito trabalho
Comprar arrependimento;
Vi nenhum contentamento,
E vejo-me a mim, que espalho
Tristes palavras ao vento.

Bem são rios estas águas
Com que banho este papel;
Bem parece ser cruel
Variedade de mágoas
E confusão de Babel.

Como homem que, por exemplo,
Dos transes em que se achou,
Despois que a guerra deixou,
Pelas paredes do templo
Suas armas pendurou:

Assim, depois que assentei
Que tudo o tempo gastava,
Da tristeza que tomei,
Nos salgueiros pendurei
Os órgãos com que cantava.

Aquele instrumento ledo
Deixei da vida passada,
Dizendo: — Música amada,
Deixo-vos neste arvoredo,
À memória consagrada.

Frauta minha que, tangendo,
Os montes fazíeis vir
Pra onde estáveis correndo,
E as águas, que iam descendo,
Tornavam logo a subir,

Jamais vos não ouvirão
Os tigres, que se amansavam;
E as ovelhas que pastavam,
Das ervas se fartarão
Que por vos ouvir deixavam.

Já não fareis docemente
Em rosa tornar abrolhos
Na ribeira florescente;
Nem poreis freio à corrente,
E mais se for dos meus olhos.

Não movereis a espessura,
Nem podereis já trazer
Atrás de vós a fonte pura,
Pois não pudestes mover
Desconcertos da ventura.

Ficareis oferecida
À Fama, que sempre vela,
Frauta de mim tão querida;
Porque, mudando-se a vida,
Se mudam os gostos dela.

Acha a tenra mocidade
Prazeres acomodados,
E logo a maior idade
Já sente por pouquidade
Aqueles gostos passados.

Um gosto que hoje se alcança,
Amanhã já o não vejo:
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.

Mas, em vida tão escassa,
Que esperança será forte?
Fraqueza de humana sorte,
Que quanto da vida passa
Está recitando a morte!

Mas deixar nesta espessura
O canto da mocidade!
Não cuide a gente futura
Que será obra da idade
O que é força da ventura.

Que idade, tempo, o espanto
De ver quão ligeiro passe,
Nunca em mim puderam tanto,
Que, posto que deixe o canto,
A causa dele deixasse.

Mas em tristezas e nojos,
Em gosto e contentamento,
Por sol, por neve, por vento,
Tendré presente á los ojos
Por quien muero tan contento.

Órgãos e frauta deixava,
Despojo meu tão querido,
No salgueiro que ali estava,
Que pera troféu ficava
De quem me tinha vencido.

Mas lembranças da afeição
Que ali cativo me tinha,
Me perguntaram então:
Que era da música minha
Que eu cantava em Sião?

Que foi daquele cantar
Das gentes tão celebrado?
Porque o deixava de usar?
Pois sempre ajuda a passar
Qualquer trabalho passado.

Canta o caminhante ledo
No caminho trabalhoso,
Por entre o espesso arvoredo;
E de noite o temeroso,
Cantando, refreia o medo.

Canta o preso docemente,
Os duros grilhões tocando;
Canta o segador contente,
E o trabalhador, cantando,
O trabalho menos sente.

Eu, que estas cousas senti
Na alma, de mágoas tão cheia,
Como dirá, respondi,
Quem alheio está de si
Doce canto em terra alheia?

Como poderá cantar
Quem em choro banha o peito?
Porque, se quem trabalhar
Canta por menos cansar,
Eu só descansos enjeito.

Que não parece razão
Nem parece cousa idônea,
Por abrandar a paixão,
Que cantasse em Babilônia
As cantigas de Sião.

Que, quando a muita graveza
De saudade quebrante
Esta vital fortaleza,
Antes moura de tristeza
Que, por abrandá-la, cante.

Que, se o fino pensamento
Só na tristeza consiste,
Não tenho medo ao tormento:
Que morrer de puro triste,
Que maior contentamento?

Nem na frauta cantarei
O que passo e passei já,
Nem menos o escreverei;
Porque a pena cansará
E eu não descansarei.

Que, se a vida tão pequena
Se acrescenta em terra estranha,
E se Amor assim o ordena,
Razão é que canse a pena
De escrever pena tamanha.

Porém se, pera assentar
O que sente o coração,
A pena já me cansar,
Não canse pera voar
A memória em Sião.

Terra bem-aventurada,
Se, por algum movimento,
Da alma me fores mudada,
Minha pena seja dada
A perpétuo esquecimento.

A pena deste desterro,
Que eu mais desejo esculpida
Em pedra ou em duro ferro,
Essa nunca seja ouvida,
Em castigo do meu erro.

E se eu cantar quiser,
Em Babilônia sujeito,
Hierusalém, sem te ver,
A voz, quando a mover,
Se me congele no peito.

A minha língua se apegue
Às fauces, pois te perdi,
Se, enquanto viver assi,
Houver tempo em que te negue
Ou que me esqueça de ti!

Mas, ó tu, terra de Glória,
Se eu nunca vi tua essência,
Como me lembras na ausência?
Não me lembras na memória,
Senão na reminiscência.

Que a alma é tábua rasa
Que com a escrita doutrina
Celeste tanto imagina,
Que voa da própria casa
E sobe à Pátria divina.

Não é logo a saudade
Das terras onde nasceu
A carne, mas é do Céu,
Daquela santa Cidade
De onde esta alma descendeu.

E aquela humana figura,
Que cá me pôde alterar,
Não é quem se há-de buscar:
É o raio da Fermosura
Que só se deve de amar.

Que os olhos e a luz que ateia
O fogo que cá sujeita,
— Não do sol, mas da candeia —
É sombra daquela idéia
Que em Deus está mais perfeita.

E os que cá me cativaram
São poderosos afeitos
Que os corações têm sujeitos;
Sofistas que me ensinaram
Maus caminhos por direitos.

Destes o mando tirano
Me obriga, com desatino,
A cantar, ao som do dano,
Cantares de amor profano
Por versos de amor divino.

Mas eu, lustrado co santo
Raio, na terra de dor,
De confusão e de espanto,
Como hei-de cantar o canto
Que só se deve ao Senhor?

Tanto pode o benefício
Da Graça, que dá saúde,
Que ordena que a vida mude:
E o que eu tomei por vício
Me faz grau pera a virtude.

E faz que este natural
Amor, que tanto se preza,
Suba da sombra ao real,
Da particular beleza
Pera a Beleza geral.

Fique logo pendurada
A frauta com que tangi,
Ó Hierusalém sagrada,
E tome a lira dourada
Pera só cantar de ti;

Não cativo e ferrolhado
Na Babilônia infernal,
Mas dos vícios desatado
E cá desta a ti levado,
Pátria minha natural.

E se eu mais der a cerviz
A mundanos acidentes,
Duros, tiranos e urgentes,
Risque-se quanto já fiz
Do grão livro dos viventes.

E, tomando já na mão
A lira santa e capaz
Doutra mais alta invenção,
Cale-se esta confusão,
Cante-se a visão da paz!

Ouça-me o pastor e o rei,
Retumbe este acento santo,
Mova-se no mudo espanto;
Que do que já mal cantei
A palinódia já canto.

A vós só me quero ir,
Senhor e grão Capitão
Da alta torre de Sião,
À qual não posso subir,
Se me vós não dais a mão.

No grão dia singular
Que na lira o douto som
Hierusalém celebrar,
Lembrai-vos de castigas
Os ruins filhos de Edom.

Aqueles que tintos vão
No pobre sangue inocente,
Soberbos co poder vão,
Arrasai-os igualmente,
Conheçam que humanos são.

E aquele poder tão duro
Dos afeitos com que venho,
Que incendem a alma e engenho;
Que já me entraram o muro
Do livre alvídrio que tenho;

Estes, que tão furiosos
Gritando vêm a escalar-me,
Maus espíritos danosos,
Que querem como forçosos
Do alicerce derrubar-me,

Derrubai-os, fiquem sós,
De forças fracos, imbeles;
Porque não podemos nós
Nem com eles ir a Vós,
Nem sem Vós tirar-nos deles.

Não basta minha fraqueza
Pera me dar defensão,
Se Vós, santo Capitão,
Nesta minha fortaleza
Não puserdes guarnição.

E tu, ó carne que encantas,
Filha de Babel tão feia,
Toda de misérias cheia,
Que mil vezes te levantas
Contra quem te senhoreia,

Beato só pode ser
Quem com a ajuda celeste
Contra ti prevalecer,
E te vier a fazer
O mal que lhe tu fizeste;

Quem com disciplina crua
Se fere mais que uma vez,
Cuja alma, de vícios nua,
Faz nódoas na carne sua,
Que já a carne na alma fez

E beato quem tomar
Seus pensamentos recentes
E em nascendo os afogar,
Por não virem a parar
Em vícios graves e urgentes;

Quem com eles logo der
Na pedra do furor santo
E, batendo, os desfizer
Na Pedra, que veio a ser
Enfim cabeça do Canto;

Quem logo, quando imagina
Nos vícios da carne má,
Os pensamentos declina
Àquela carne divina
Que na Cruz esteve já;

Quem do vil contentamento
Cá deste mundo visível,
Quanto ao homem for possível,
Passar logo o entendimento
Pera o mundo inteligível,

Ali achará alegria
Em tudo perfeita e cheia
De tão suave harmonia,
Que nem, por pouca, escasseia,
Nem, por sobeja, enfastia.

Ali verá tão profundo
Mistério na suma Alteza,
Que, vencida a Natureza,
Os mores faustos do Mundo
Julgue por maior baixeza.

Ó tu, divino aposento,
Minha Pátria singular,
Se só com te imaginar
Tanto sobe o entendimento,
Que fará, se em ti se achar?

Ditoso de quem se partir
Pera ti, terra excelente,
Tão justo e tão penitente,
Que, despois de a ti subir,
Lá descanse eternamente! 

   



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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O Bote de Rapé - Teatro

       

Machado de Assis - Teatro


Machado de Assis - O Bote de Rapé


Comédia em sete colunas

Publicado originalmente em O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 1878.

PERSONAGENS:


Tomé
Um relógio na parede
Elisa, sua mulher
O nariz de Tomé
Um caixeiro

CENA PRIMEIRA: TOMÉ, ELISA (entra vestida)


TOMÉ — Vou mandar à cidade o Chico ou o José.
ELISA — Para... ?
TOMÉ — Para comprar um bote de rapé.
ELISA — Vou eu.
TOMÉ — Tu?
ELISA — Sim. Preciso escolher a cambraia, A renda, o gorgorão e os galões para a saia, Cinco rosas da China em casa da Natté, Um par de luvas, um peignoir e um plissé, Ver o vestido azul, e um véu... Que mais? Mais nada.
TOMÉ — (rindo) Dize logo que vás buscar se uma assentada Tudo quanto possui a Rua do Ouvidor. Pois aceito, meu anjo, esse imenso favor.
ELISA — Nada mais? Um chapéu? Uma bengala? Um fraque? Que te leve um recado ao Dr. Burlamaque? Charutos? Algum livro? Aproveita, Tomé!
TOMÉ — Nada mais; só preciso o bote de rapé...
ELISA — Um bote de rapé! Tu bem sabes que a tua Elisa...
TOMÉ — Estou doente e não posso ir à rua. Esta asma infernal que me persegue... Vês? Melhor fora matá-la e morrer de uma vez, Do que viver assim com tanta cataplasma. E inda há pior do que isso! inda pior que a asma:
ELISA (rindo) — Oh! se pudesse estar Vazia para sempre, e acabar, acabar Esse vício tão feio! Antes fumasse, antes. Há vícios jarretões e vícios elegantes. O charuto é bom tom, aromatiza, influi Na digestão, e até dizem que restitui A paz ao coração e dá risonho aspecto.
TOMÉ — O vício do rapé é vício circunspeto. Indica desde logo um homem de razão; Tem entrada no paço, e reina no salão Governa a sacristia e penetra na igreja. Uma boa pitada, as idéias areja; Dissipa o mau humor. Quantas vezes estou Capaz de pôr abaixo a casa toda! Vou Ao meu santo rapé; abro a boceta, e tiro Uma grossa pitada e sem demora a aspiro; Com o lenço sacudo algum resto de pó E ganho só com isso a mansidão de Jô.
ELISA — Não duvido.
TOMÉ — Inda mais: até o amor aumenta Com a porção de pó que recebe uma venta.
ELISA — Talvez tenhas razão; acho-te mais amor Agora; mais ternura; acho-te...
TOMÉ — Minha flor, Se queres ver-me terno e amoroso contigo, Se queres reviver aquele amor antigo. Vai depressa.
ELISA — Onde é?
TOMÉ — Em casa do Real; Dize-lhe que me mande a marca habitual.
ELISA — Paulo Cordeiro, não?
TOMÉ — Paulo Cordeiro. Queres,
ELISA — Para acalmar a tosse uma ou duas colheres
TOMÉ — Do xarope? Verei.
ELISA — Até logo, Tomé.
TOMÉ — Não te esqueças.
ELISA — Já sei: um bote de rapé.
(sai)
CENA II
TOMÉ — Que zelo! Que lidar! Que correr! Que ir e vir! Quase, quase lhe falta tempo de dormir. Verdade é que o sarau com o Dr. Coutinho Quer festejar domingo os anos do padrinho, É de primo-cartello, é um grande sarau de truz. Vai o Guedes, o Paca, o Rubirão, o Cruz, A viúva do Silva, a família do Mata, Um banqueiro, um barão, creio que um diplomata. Dizem que há de gastar quatro contos de réis. Não duvido; uma ceia, os bolos, os pastéis, Gelados, chá... A coisa há de custar-lhe caro. O mau é que eu desde já me preparo A despender com isto algum cobrinho... O quê? Quem me fala?
O NARIZ — Sou eu; peço a vossa mercê Me console, inserindo um pouco de tabaco. Há três horas jejuo, e já me sinto fraco, Nervoso, impertinente, estúpido, — nariz, Em suma.
TOMÉ — Um infeliz consola outro infeliz; Também eu tenho a bola um pouco transtornada, E gemo, como tu, à espera da pitada.
O NARIZ — O nariz sem rapé é alma sem amor.
TOMÉ — Olha podes cheirar esta pequena flor.
O NARIZ — Flores; nunca! jamais! Dizem que há pelo mundo Quem goste de cheirar esse produto imundo. Um nariz que se preza odeia aromas tais. Outros os gozos são das cavernas nasais. Quem primeiro aspirou aquele pó divino, Deixas as rosas e o mais às ventas do menino.
TOMÉ — (consigo) Acho neste nariz bastante elevação, Dignidade, critério, empenho e reflexão. Respeita-se; não desce a farejar essências, Águas de toucador e outras minudências.
O NARIZ — Vamos, uma pitada! Um instante, infeliz! (à parte) Vou dormir para ver se aquieto o nariz. (Dorme algum tempo e acorda) Safa! Que sonho; ah! Que horas são!
O RELÓGIO (batendo) — Uma, duas.
TOMÉ — Duas! E a minha Elisa a andar por essas ruas. Coitada! E este calor que talvez nos dará Uma amostra do que é o pobre Ceará. Esqueceu-me dizer tomasse uma caleça. Que diacho! Também saiu com tanta pressa! Pareceu-me, não sei; é ela, é ela, sim... Este passo apressado... És tu, Elisa?
CENA III
TOMÉ, ELISA, UM CAIXEIRO (com uma caixa)
ELISA — Enfim! Entre cá; ponha aqui toda essa trapalhada. Pode ir.
(Sai o caixeiro)
Como passaste?
TOMÉ — Assim; a asma danada Um pouco sossegou depois que dormitei.
ELISA — Vamos agora ver tudo quanto comprei.
TOMÉ — Mas primeiro descansa. Olha o vento nas costas. Vamos para acolá. Cuidei voltar em postas.
ELISA — Ou torrada.
TOMÉ — Hoje o sol parece estar cruel. Vejamos o que vem aqui neste papel.
ELISA — Cuidado! é o chapéu. Achas bom?
TOMÉ — Excelente. Põe lá.
ELISA — (põe o chapéu) Deve cair um pouco para a frente. Fica bem?
TOMÉ — Nunca vi um chapéu mais taful.
ELISA — Acho muito engraçada esta florzinha azul. Vê agora a cambraia, é de linho; fazenda Superior. Comprei oito metros de renda, Da melhor que se pode, em qualquer parte, achar. Em casa da Creten comprei um peignoir.
TOMÉ (impaciente) Em casa da Natté...
ELISA — Cinco rosas da China. Uma, três, cinco. São bonitas?
TOMÉ — Papa-fina.
ELISA — Comprei luvas couleur tilleul, crème, marron; Dez botões para cima; é o número do tom Olhe este gorgorão; que fio! que tecido! Não sei se me dará a saia do vestido.
TOMÉ — Dá.
ELISA — Comprei os galões, um fichu, e este véu.
TOMÉ — Já mostraste o chapéu.
ELISA — Fui também ao Godinho, Ver as meias de seda e um vestido de linho. Um não, dois, foram dois.
TOMÉ — Mais dois vestidos?
ELISA — Dois... Comprei lá este leque e estes grampos. Depois, Para não demorar, corri do mesmo lance, A provar o vestido em casa da Clemence. Ah! Se pudesse ver como me fica bem! O corpo é uma luva. Imagina que tem...
TOMÉ — Imagino, imagino. Olha, tu pões-me tonto Só com a descrição; prefiro vê-lo pronto. Esbelta, como és, hei de achá-lo melhor No teu corpo.
ELISA — Verás, verás que é um primor. Oh! a Clemence! aquilo é a primeira artista!
TOMÉ — Não passaste também por casa do dentista?
ELISA — Passei; vi lá a Amália, a Clotilde, o Rangel, A Marocas, que vai casar com o bacharel Albernaz...
TOMÉ — Albernaz?
ELISA — Aquele que trabalha Com o Gomes. Trazia um vestido de palha...
TOMÉ — De palha?
ELISA — Cor de palha, e um fichu de filó, Luvas cor de pinhão, e a cauda atada a um nó De cordão; o chapéu tinha uma flor cinzenta, E tudo não custou mais de cento e cinqüenta, Conversamos do baile; a Amália diz que o pai Brigou com o Dr. Coutinho e lá não vai. A Clotilde já tem a toilette acabada. Oitocentos mil-réis.
O NARIZ (baixo a Tomé) Senhor, uma pitada!
TOMÉ (com intenção, olhando para a caixa) Mas ainda tens aí uns pacotes...
ELISA — Sabão; Estes dois são de alface e estes de alcatrão. Agora vou mostrar-te um lindo chapelinho De sol; era o melhor da casa do Godinho.
TOMÉ (depois de examinar) Bem.
ELISA — Senti, já no bonde, um incômodo atroz.
TOMÉ (aterrado) Que foi?
ELISA — Tinha esquecido as botas no Queirós. Desci; fui logo à pressa e trouxe estes dois pares; São iguais aos que usa a Chica Valadares.
TOMÉ (recapitulando) Flores, um peignoir, botinas, renda e véu. Luvas e gorgorão, fichu, plissé, chapéu, Dois vestidos de linho, os galões para a saia, Chapelinho de sol, dois metros de cambraia...
(Levando os dedos ao nariz)
Vamos agora ver a compra do Tomé.
ELISA (com um grito) Ai Jesus! esqueceu-me o bote de rapé!

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Quase ministro - Teatro

       


Machado de Assis - Teatro


Machado de Assis - Quase ministro



Publicada originalmente na Semana Ilustrada, Rio de Janeiro, 1864.

NOTA PRELIMINAR


Esta comédia foi expressamente escrita para ser representada em um sarau literário e artístico, dado a 22 de novembro do ano passado (1862), em casa de alguns amigos na rua da Quitanda.
Os cavalheiros que se encarregaram dos diversos papéis foram Os Senhores Morais Tavares, Manuel de Melo, Ernesto Cibrão, Bento Marques, Insley Pacheco, Artur Napoleão, Muniz Barreto e Carlos Schramm. O desempenho, como podem atestar os que lá estiveram, foi muito acima do que se podia esperar de amadores.
Pela representação da comédia se abriu o sarau, continuando com a leitura de escritos poéticos e a execução de composições musicais.
Leram composições poéticas os Senhores: conselheiro José Feliciano de Castilho, fragmentos de uma excelente tradução do Fausto; Bruno Seabra, fragmentos do seu poema Dom Fuas, do gênero humorístico, em que a sua musa se distingue sempre; Ernesto Cibrão, uma graciosa e delicada poesia — O Campo Santo; Doutor Pedro Luís — Os voluntários da morte, ode eloqüente sobre a Polônia; Faustino de Novais, uns sentidos versos de despedida a Artur Napoleão; finalmente, o próprio autor da comédia.
Executaram excelentes pedaços de música os Senhores: Artur Napoleão, A. Arnaud, Schramm e Wagner, pianistas; Muniz Barreto e Bernardelli, violinistas; Tronconi, harpista; Reichert, flautista; Bolgiani, Tootal, Wilmoth, Orlandini e Fernand, cantores.
A este grupo de artistas, é de rigor acrescentar o nome do Senhor Leopoldo Heck, cujos trabalhos de pintura são bem conhecidos, e que se encarregou de ilustrar o programa do sarau afixado na sala.
O sarau era o sexto ou sétimo dado pelos mesmos amigos, reinando neste, como em todos, a franca alegria e convivência cordial a que davam lugar o bom gosto da direção e a urbanidade dos diretores.

PERSONAGENS


LUCIANO MARTINS, deputado DOUTOR SILVEIRA
JOSÉ PACHECO
CARLOS BASTOS
MATEUS
LUÍS PEREIRA
MÜLLER
AGAPITO

Ação — Rio de Janeiro. (Sala em casa de Martins.)
Cena I
MARTINS, SILVEIRA SILVEIRA
(entrando)
Primo Martins, abraça este ressuscitado! MARTINS Como assim? SILVEIRA Não imaginas. Senta-te, senta-te. Como vai a prima? MARTINS Está boa. Mas que foi? SILVEIRA Foi um milagre. Conheces aquele meu alazão? MARTINS Ah! basta; história de cavalos... que mania! SILVEIRA É um vício, confesso. Para mim não há outros: nem fumo, nem mulheres, nem
jogo, nem vinho; tudo isso que muitas vezes se encontra em um só homem,
reuni-o eu na paixão dos cavalos; mas que não há nada acima de um cavalo
soberbo, elegante, fogoso. Olha, eu compreendo Calígula.
MARTINS
Mas, enfim...
SILVEIRA
A história? É simples. Conheces o meu Intrépido? E um lindo alazão! Pois ia eu há
pouco, comodamente montado, costeando a praia de Botafogo; ia distraído, não
sei em que pensava. De repente, um tílburi que vinha em frente esbarra e tomba.
O Intrépido espanta-se; ergue as patas dianteiras, diante da massa que ficara defronte, donde saíam gritos e lamentos. Procurei contê-lo, mas qual! Quando dei por mim rolava muito prosaicamente na poeira. Levantei-me a custo; todo o corpo me doía; mas enfim pude tomar um carro e ir mudar de roupa. Quanto ao alazão, ninguém deu por ele; deitou a correr até agora.
MARTINS
Que maluco!
SILVEIRA
Ah! mas as comoções... E as folhas amanhã contando o fato: DESASTRE. — Ontem, o jovem e estimado Dr. Silveira Borges, primo do talentoso deputado Luciano Alberto Martins, escapou de morrer... etc.”. Só isto!
MARTINS
Acabaste a história do teu desastre?
SILVEIRA
Acabei.
MARTINS
Ouve agora o meu.
SILVEIRA
Estás ministro, aposto!
MARTINS
Quase.
SILVEIRA
Conta-me isto. Eu já tinha ouvido filar na queda do ministério.
MARTINS
Faleceu hoje de manhã.
SILVEIRA
Deus lhe fale n'alma!
MARTINS
Pois creio que vou ser convidado para uma das pastas.
SILVEIRA
Ainda não foste?
MARTINS
Ainda não; mas a coisa já é tão sabida na cidade, ouvi isto em tantas partes, que
julguei dever voltar para casa à espera do que vier.
SILVEIRA
Muito bem! Dá cá um abraço! Não é um favor que te fazem; mereces, mereces...
Ó primo, eu também posso servir em alguma pasta?
MARTINS
Quando houver uma pasta dos alazões... (batem palmas) Quem será?
SILVEIRA
Será a pasta?
MARTINS
Vê quem é. (Silveira vai à porta. Entra Pacheco)
Cena II
OS MESMOS E JOSÉ PACHECO PACHECO
V. Exa. dá-me licença? MARTINS Pode entrar. PACHECO Não me conhece? MARTINS Não tenho a honra... PACHECO José Pacheco. MARTINS José... PACHECO Estivemos há dois dias juntos em casa do Bernardo. Fui-lhe apresentado por um
colega da câmara. MARTINS Ah! (a Silveira, baixo) Que me quererá? SILVEIRA
(baixo)
Já cheiras a ministro.
PACHECO (sentando-se) Dá licença? MARTINS Pois não! (senta-se)
PACHECO Então que me diz à situação? Que me diz à situação? Eu já previa isto. Não sei se teve a bondade de ler uns artigos meus assinados — Armand Carrel. Tudo o que acontece hoje está lá anunciado. Leia-os, e verá. Não sei se os leu?
MARTINS
Tenho uma idéia vaga.
PACHECO
Ah! pois então há de lembrar-se de um deles, creio que é o IV, não, é o V. Pois
nesse artigo está previsto o que aconteceu hoje, tim tim por tim tim. SILVEIRA Então V.S. é profeta? PACHECO Em política ser lógico é ser profeta. Apliquem-se certos princípios a certos fatos, a
conseqüência é sempre a mesma. Mas é mister que haja os fatos e os princípios... SILVEIRA
V.S. aplicou-os?... PACHECO Apliquei, sim, senhor, e adivinhei. Leia o meu V artigo, e verá com que certeza
matemática pintei a situação atual. Ah! ia-me esquecendo (a Martins), receba V. Exa. os meus sinceros parabéns. MARTINS Por quê? PACHECO Não foi chamado para o ministério? MARTINS Não estou decidido.
PACHECO Na cidade não se fala em outra coisa. É uma alegria geral. Mas, por que não está decidido? Não quer aceitar?
MARTINS Não sei ainda. PACHECO Aceite, aceite! É digno; e digo mais, na atual situação, o seu concurso pode servir
de muito. MARTINS Obrigado. PACHECO É o que lhe digo. Depois dos meus artigos, principalmente o V, não é lícito a
ninguém recusar uma pasta, só se absolutamente não quiser servir o país. Mas
nos meus artigos está tudo, é uma espécie de compêndio. Demais, a situação é
nossa; nossa, repito, porque eu sou do partido de V. Exa.
MARTINS
É muita honra.
PACHECO
Uma vez que se compenetre da situação, está tudo feito. Ora diga-me, que política
pretende seguir? MARTINS A do nosso partido. PACHECO É muito vago isso. O que eu pergunto é se pretende governar com energia ou com
moderação. Tudo depende do modo. A situação exige um, mas o outro também pode servir... MARTINS
Ah! SILVEIRA (à parte)
Que maçante!
PACHECO
Sim, a energia é... é isso, a moderação, entretanto... (mudando o tom) Ora, sinto
deveras que não tivesse lido os meus artigos, lá vem tudo isso. MARTINS Vou lê-los... Creio que já os li, mas lerei segunda vez. Estas coisas devem ser lidas
muitas vezes. PACHECO
Não tem dúvida, como os catecismos. Tenho escrito outros muitos; há doze anos que não faço outra coisa; presto religiosa atenção aos negócios do estado, e emprego-me em prever as situações. O que nunca me aconteceu foi atacar ninguém; não vejo as pessoas, vejo sempre as idéias. Sou capaz de impugnar hoje os atos de um ministro e ir amanhã almoçar com ele.
SILVEIRA Vê-se logo. PACHECO Está claro! MARTINS
(baixo a Silveira)
Será tolo ou velhaco? SILVEIRA Uma e outra coisa. (alto) Ora, não me dirá, com tais disposições, por que não
segue a carreira política? Por que não se propõe a uma cadeira no parlamento? PACHECO Tenho meu amor próprio, espero que ma ofereçam. SILVEIRA Talvez receiem ofendê-lo. PACHECO Ofender-me? SILVEIRA Sim, a sua modéstia... PACHECO Ah! modesto sou; mas não ficarei zangado. SILVEIRA Se lhe oferecerem uma cadeira... está bom. Eu também não; nem ninguém. Mas
eu acho que se devia propor; fazer um manifesto, juntar os seus artigos, sem faltar o V...
PACHECO Esse principalmente. Cito aí boa soma de autores. Eu, de ordinário, cito muitos autores.
SILVEIRA Pois é isso, escreva o manifesto e apresente-se.
PACHECO Tenho medo da derrota. SILVEIRA Ora, com as suas habilitações... PACHECO É verdade, mas o mérito é quase sempre desconhecido, e enquanto eu vegeto nos
— a pedidos dos jornais, vejo muita gente chegar a cumieira da fama. (a Martins) Ora diga-me, o que pensará V. Exa. quando eu lhe disser que redigi um folheto e que vou imprimi-lo?
MARTINS Pensarei que... PACHECO
(metendo a mão no bolso) Aqui lho trago. (tira um rolo de papel) Tem muito que fazer? MARTINS Alguma coisa. SILVEIRA Muito, muito. PACHECO Então não pode ouvir o meu folheto? MARTINS Se me dispensasse agora... PACHECO Pois sim, em outra ocasião. Mas em resumo é isso; trato dos meios de obter uma
renda três vezes maior do que a que temos sem lançar mão de empréstimos, e mais ainda, diminuindo os impostos. SILVEIRA
Oh! PACHECO (guardando o rolo)
Custou-me muitos dias de trabalho, mas espero fazer barulho. SILVEIRA
(à parte) Ora espera... (alto) Mas então, primo...
PACHECO Ah! é primo de V. Exa.? SILVEIRA Sim, senhor. PACHECO Logo vi, há traços de família; vê-se que é um moço inteligente. A inteligência é o
principal traço da família de V. Exas. Mas dizia... SILVEIRA Dizia ao primo que vou decididamente comprar uns cavalos do Cabo magníficos.
Não sei se os viu já. Estão na cocheira do major... PACHECO Não vi, não senhor. SILVEIRA Pois, senhor, são magníficos! É a melhor estampa que tenho visto, todos do mais
puro castanho, elegantes, delgados, vivos. O major encomendou trinta; chegaram seis; fico com todos. Vamos nós vê-los? PACHECO
(aborrecido)
Eu não entendo de cavalos. (levanta-se) Hão de dar-me licença. (a Martins) V. Exa. janta às cinco? MARTINS Sim, senhor, quando quiser... PACHECO Ah! hoje mesmo, hoje mesmo. Quero saber se aceitará ou não. Mas se quer um
conselho de amigo, aceite, aceite. A situação esta talhada para um homem como
V. Exa. Não a deixe passar. Recomendações a toda a sua família. Meus senhores. (da porta) Se quer, trago-lhe uma coleção dos meus artigos? MARTINS Obrigado, cá os tenho.
PACHECO Bem, sem mais cerimônia.
Cena III
MARTINS, SILVEIRA MARTINS
Que me dizes a isto? SILVEIRA É um parasita, está claro. MARTINS E virá jantar? SILVEIRA Com toda a certeza. MARTINS Ora esta! SILVEIRA É apenas o começo; não passas ainda de um quase-ministro. Que acontecerá
quando o fores de todo? MARTINS Tal preço não vale o trono. SILVEIRA Ora, aprecia lá a minha filosofia. Só me ocupo dos meus alazões, mas quem se
lembra de me vir oferecer artigos para ler e estômagos para alimentar? Ninguém. Feliz obscuridade! MARTINS Mas a sem-cerimônia...
SILVEIRA Ah! querias que fossem acanhados? São lestos, desembaraçados, como em suas próprias casas. Sabem tocar a corda.
MARTINS
Mas enfim, não há muitos como este. Deus nos livre! Seria uma praga! Que
maçante! Se não lhe falas em cavalos, ainda aqui estava! (batem palmas) Será outro? SILVEIRA Será o mesmo?
Cena IV
OS MESMOS, CARLOS BASTOS BASTOS
Meus senhores... MARTINS Queira sentar-se. (sentam-se) Que deseja? BASTOS Sou filho das musas. SILVEIRA Bem, com licença. MARTINS Onde vais? SILVEIRA Vou lá dentro falar à prima. MARTINS
(baixo) Presta-me o auxílio dos teus cavalos. SILVEIRA
(baixo)
Não é possível, este conhece o Pégaso. Com licença.
Cena V
MARTINS, BASTOS BASTOS Dizia eu que sou filho das musas... Com efeito, desde que me conheci, achei-me
logo entre elas. Elas me influíram a inspiração e o gosto da poesia, de modo que, desde os mais tenros anos, fui poeta. MARTINS Sim, senhor, mas...
BASTOS Mal comecei a ter entendimento, achei-me logo entre a poesia e a prosa, como Cristo entre o bom e o mau ladrão. Ou devia ser poeta, conforme me podia o gênio, ou lavrador, conforme meu pai queria. Segui os impulsos do gênio; aumentei a lista dos poetas e diminuí a dos lavradores.
MARTINS Porém...
BASTOS
E podia ser o contrário? Há alguém que fuja a sua sina? V. Exa. não é um exemplo? Não se acaba de dar às suas brilhantes qualidades políticas a mais honrosa sanção? Corre ao menos por toda a cidade.
MARTINS
Ainda não é completamente exato.
BASTOS
Mas há de ser, deve ser. (depois de uma pausa) A poesia e a política acham-se ligadas por um laço estreitíssimo. O que é a política? Eu a comparo a Minerva. Ora, Minerva é filha de Júpiter, como Apolo. Ficam sendo, portanto, irmãs. Deste estreito parentesco nasce que a minha musa, apenas soube do triunfo político de
V. Exa., não pôde deixar de dar alguma cópia de si. Introduziu-me na cabeça a faísca divina, emprestou-me as suas asas, e arrojou-me até onde se arrojava Píndaro. Há de me desculpar, mas agora mesmo parece-me que ainda por lá ando.
MARTINS
(à parte)
Ora dá-se.
BASTOS
Longo tempo vacilei; não sabia se devia fazer uma ode ou um poema. Era melhor
o poema, por oferecer um quadro mais largo, e poder assim conter mais comodamente todas as ações grandes da vida de V. Exa.; mas um poema só deve pegar do herói quando ele morre; e V. Exa., por fortuna nossa, ainda se acha entre os vivos. A ode prestava-se mais, era mais curta e mais própria. Desta opinião foi a musa que me inspirou a melhor composição que até hoje tenho feito.
V. Exa. vai ouvi-la. (mete a mão no bolso)
MARTINS
Perdão, mas agora não me é possível.
BASTOS
Mas...
MARTINS
Dê cá; lerei mais tarde. Entretanto, cumpre-me dizer que ainda não é cabida, porque ainda não sou ministro.
BASTOS
Mas há de ser, deve ser. Olhe, ocorre-me uma coisa. Naturalmente hoje à tarde já isso está decidido. Seus amigos e parentes virão provavelmente jantar com V. Exa.; então no melhor da festa, entre a pêra e o queijo, levanto-me eu, como Horácio a mesa de Augusto, e desfio a minha ode! Que acha? é muito melhor, é muito melhor.
MARTINS
Será melhor não a ler; pareceria encomenda.
BASTOS Oh! Modéstia! Como assenta bem em um ministro! MARTINS Não é modéstia. BASTOS Mas quem poderá supor que seja encomenda? O seu caráter de homem público
repele isso, tanto quanto repele o meu caráter de poeta. Há de se pensar o que realmente é: homenagem de um filho das musas a um aluno de Minerva. Descanse, conte com a sobremesa poética.
MARTINS Enfim... BASTOS Agora, diga-me, quais são as dúvidas para aceitar esse cargo? MARTINS São secretas. BASTOS Deixe-se disso; aceite, que é o verdadeiro. V. Exa. deve servir o país. É o que eu
sempre digo a todos... Ah! não sei se sabe: de há cinco anos a esta parte tenho sido cantor de todos os ministérios. É que, na verdade, quando um ministério sobe ao poder, há razões para acreditar que fará a felicidade da nação. Mas nenhum a fez; este há de ser exceção: V. Exa. está nele e há de obrar de modo que mereça as bênçãos do futuro. Ah! os poetas são um tanto profetas.
MARTINS (levantando-se) Muito obrigado. Mas há de me desculpar. (vê o relógio) Devo sair. BASTOS Eu também saio e terei muita honra de ir à ilharga de V. Exa. MARTINS
Sim... mas, devo sair daqui a pouco. BASTOS (sentando-se)
Bem, eu espero. MARTINS Mas é que eu tenho de ir para o interior de minha casa; escrever umas cartas. BASTOS
Sem cerimônia. Sairemos depois e voltaremos... V. Exa. janta às cinco? MARTINS Ah! quer esperar? BASTOS Quero ser dos primeiros que o abracem, quando vier a confirmação da notícia;
quero antes de todos estreitar nos braços o ministro que vai salvar a nação.
MARTINS (meio zangado) Pois fique, fique.
Cena VI
OS MESMOS, MATEUS MATEUS É um criado de V. Exa. MARTINS Pode entrar. BASTOS
(à parte) Será algum colega? Chega tarde! MATEUS Não tenho a honra de ser conhecido por V. Exa., mas, em poucas palavras, direi
quem sou... MARTINS Tenha a bondade de sentar-se. MATEUS
(vendo Bastos) Perdão; está com gente; voltarei em outra ocasião. MARTINS Não, diga o que quer, este senhor vai já. BASTOS Pois não! (à parte) Que remédio! (alto) Às ordens de V. Exa.; até logo... não me
demoro muito.
Cena VII
MARTINS, MATEUS MARTINS Estou às suas ordens. MATEUS Primeiramente deixe-me dar-lhe os parabéns; sei que vai ter a honra de sentar-se
nas poltronas do Executivo, e eu acho que é do meu dever congratular-me com a nação. MARTINS Muito obrigado. (à parte) É sempre a mesma cantilena.
MATEUS O país tem acompanhado os passos brilhantes da carreira política de V. Exa. Todos contam que, subindo ao ministério, V. Exa. vai dar à sociedade um novo tom. Eu penso do mesmo modo. Nenhum dos gabinetes anteriores compreendeu as verdadeiras necessidades da pátria. Uma delas é a idéia que eu tive a honra de apresentar há cinco anos, e para cuja realização ando pedindo um privilégio. Se V. Exa. não tem agora muito que fazer, vou explicar-lhe a minha idéia.
MARTINS
Perdão; mas como eu posso não ser ministro, desejava não entrar por ora no conhecimento de uma coisa que só ao ministro deve ser comunicada. MATEUS Não ser ministro! V. Exa. não sabe o que está dizendo... Não ser ministro é, por
outros termos, deixar o país à beira do abismo com as molas do maquinismo social emperradas... Não ser ministro! Pois é possível que um homem, com os talentos e os instintos de V. Exa. diga semelhante barbaridade? É uma barbaridade. Eu já não estou em mim... Não ser ministro!
MARTINS Basta, não se aflija desse modo. MATEUS Pois não me hei de afligir? MARTINS Mas então a sua idéia? MATEUS
(depois de limpar a testa com o lenço) A minha idéia é simples como água. Inventei uma peca de artilharia; coisa
inteiramente nova; deixa atrás de si tudo o que ate hoje tem sido descoberto. É um invento que põe na mão do país, que o possuir, a soberania do mundo. MARTINS
Ah! Vejamos. MATEUS Não posso explicar o meu segredo, porque seria perdê-lo. Não é que eu duvide da
discrição de V. Exa.; longe de mim semelhante idéia; mas é que V. Exa. sabe que estas coisas têm mais virtude quando são inteiramente secretas. MARTINS É justo; mas diga-me lá, quais são as propriedades da sua peça?
MATEUS São espantosas. Primeiramente, eu pretendo denominá-la: o raio de Júpiter, para honrar com um nome majestoso a majestade do meu invento. A peça é montada sobre uma carreta, a que chamarei locomotiva, porque não é outra coisa. Quanto ao modo de operar é aí que está o segredo. A peça tem sempre um depósito de pólvora e bala para carregar, e vapor para mover a máquina. Coloca-se no meio do campo e deixa-se... Não lhe bulam. Em começando o fogo, entra a peça a mover-se em todos os sentidos, descarregando bala sobre bala, aproximando-se ou recuando, Segundo a necessidade. Basta uma para destroçar um exército; calcule o que não será umas doze, como esta. É ou não a soberania do mundo?
MARTINS Realmente, é espantoso. São peças com juízo. MATEUS Exatamente. MARTINS Deseja então um privilégio? MATEUS Por ora... É natural que a posteridade me faça alguma coisa... Mas tudo isso
pertence ao futuro. MARTINS Merece, merece. MATEUS Contento-me com o privilégio... Devo acrescentar que alguns ingleses, alemães e
americanos, que, não sei como, souberam deste invento, já me propuseram, ou a venda dele, ou uma carta de naturalização nos respectivos países; mas eu amo a minha pátria e os meus ministros.
MARTINS Faz bem. MATEUS Está V. Exa. informado das virtudes da minha peça. Naturalmente daqui a pouco é ministro. Posso contar com a sua proteção? MARTINS Pode; mas eu não respondo pelos colegas. MATEUS Queira V. Exa., e os colegas cederão. Quando um homem tem as qualidades e a
inteligência superior de V. Exa., não consulta, domina. Olhe, eu fico descansado a este respeito.
Cena VIII
OS MESMOS, SILVEIRA
MARTINS
Fizeste bem em vir. Fica um momento conversando com este senhor. É um inventor e pede um privilégio. Eu vou sair; vou saber novidades. (à parte) Com efeito, a coisa tarda. (alto) Até logo. Aqui estarei sempre às suas ordens. Adeus, Silveira.
BASTOS
(baixo a Martins)
Então, deixas-me só?
MARTINS (baixo) Agüenta-te. (alto) Até sempre! MATEUS Às ordens de V. Exa.
Cena IX
MATEUS, SILVEIRA MATEUS Eu também me vou embora. É parente do nosso ministro? SILVEIRA Sou primo. MATEUS Ah! SILVEIRA Então V. S. inventou alguma coisa? Não foi a pólvora?
MATEUS Não foi, mas cheira a isso... Inventei uma peça. SILVEIRA Ah! MATEUS Um verdadeiro milagre... Mas não é o primeiro; tenho inventado outras coisas.
Houve um tempo em que me zanguei; ninguém fazia caso de mim; recolhi-me ao silêncio, disposto a não inventar mais nada. Finalmente, a vocação sempre vence; comecei de novo a inventar, mas nada fiz ainda que chegasse à minha peça. Hei de dar nome ao século XIX.
Cena X
OS MESMOS, LUÍS PEREIRA PEREIRA
S. Exa. está em casa? SILVEIRA Não, senhor. Que desejava? PEREIRA Vinha dar-lhe os parabéns. SILVEIRA Pode sentar-se. PEREIRA Saiu? SILVEIRA Há pouco. PEREIRA Mas volta? SILVEIRA Há de voltar. PEREIRA Vinha dar-lhe os parabéns... e convidá-lo. SILVEIRA
Para quê, se não é curiosidade? PEREIRA Para um jantar. SILVEIRA Ah! (à parte) Está feito. Este oferece jantares. PEREIRA Está já encomendado. Lá se encontrarão várias notabilidades do país. Quero fazer
ao digno ministro, sob cujo teto tenho a honra de falar neste momento, aquelas honras que o talento e a virtude merecem. SILVEIRA Agradeço em nome dele esta prova... PEREIRA
V.S. pode até fazer parte da nossa festa. SILVEIRA É muito honra. PEREIRA É meu costume, quando sobe um ministério, escolher o ministro mais simpático, e
oferecer-lhe um jantar. E há uma coisa singular: conto os meus filhos por ministérios. Casei-me em 50; daí para cá, tantos ministérios, tantos filhos. Ora, acontece que de cada pequeno meu é padrinho um ministro, e fico eu assim espiritualmente aparentado com todos os gabinetes. No ministério que caiu, tinha eu dois compadres. Graças a Deus, posso fazê-lo sem diminuir as minhas rendas.
SILVEIRA (à parte) O que lhe come o jantar é quem batiza o filho. PEREIRA Mas o nosso ministro, demorar-se-á muito? SILVEIRA Não sei... ficou de voltar. MATEUS Eu peco licença para me retirar. (à parte, a Silveira) Não posso ouvir isto. SILVEIRA Já se vai? MATEUS
Tenho voltas que dar; mas logo cá estou. Não lhe ofereço para jantar, porque vejo que S. Exa. janta fora. PEREIRA Perdão, se me quer dar a honra. MATEUS Honra... sou eu que a recebo... aceito, aceito com muito gosto. PEREIRA É no Hotel Inglês, ás cinco horas.
Cena XI
OS MESMOS, AGAPITO, MÜLLER SILVEIRA Oh! entra, Agapito! AGAPITO Como estás? SILVEIRA Trazes parabéns? AGAPITO E pedidos. SILVEIRA O que é? AGAPITO Apresento-lhe o Sr. Müller, cidadão hanoveriano. SILVEIRA
(a Müller)
Queira sentar-se. AGAPITO O Sr. Müller chegou há quatro meses da Europa e deseja contratar o teatro lírico. SILVEIRA Ah! MÜLLER
Tenho debalde perseguido os ministros, nenhum me tem atendido. Entretanto, o
que eu proponho é um verdadeiro negócio da China. AGAPITO (a Müller)
Olhe que não é ao ministro que está falando, é ao primo dele.
MÜLLER
Não faz mal. Veja se não é negócio da China. Proponho fazer cantar os melhores
artistas da época. Os senhores vão ouvir coisas nunca ouvidas. Verão o que é um
teatro lírico.
SILVEIRA
Bem, não duvido.
AGAPITO
Somente, o Sr. Müller pede uma subvenção.
SILVEIRA
É justo. Quanto?
MÜLLER
Vinte e cinco contos por mês.
MATEUS Não é má; e os talentos do país? Os que tiverem à custa do seu trabalho produzido inventos altamente maravilhosos? O que tiver posto na mão da pátria a soberania do mundo?
AGAPITO
Ora, senhor! A soberania do mundo é a música que vence a ferocidade. Não sabe
a história de Orfeu?
MÜLLER
Muito bem!
SILVEIRA
Eu acho a subvenção muito avultada.
MÜLLER
E se eu lhe provar que não é?
SILVEIRA
É possível, em relação ao esplendor dos espetáculos; mas nas circunstâncias do
país... AGAPITO
Não há circunstâncias que procedam contra a música... Deve ser aceita a proposta do Sr. Müller. MÜLLER Sem dúvida.
AGAPITO Eu acho que sim. Há uma porção de razões para demonstrar a necessidade de um teatro lírico. Se o país é feliz, é bom que ouça cantar, porque a música confirma as comoções da felicidade. Se o país é infeliz, é também bom que ouça cantar, porque a música adoça as dores. Se o país é dócil, é bom que ouça música, porque a música adormece os furores, e produz a brandura. Em todos os casos, a música é útil. Deve ser até um meio de governo.
SILVEIRA
Não contesto nenhuma dessas razões; mas meu primo, se for efetivamente ministro, não aceitará semelhante proposta. AGAPITO Deve aceitar; mais ainda, se és meu amigo, deves interceder pelo Sr. Müller. SILVEIRA Por quê? AGAPITO
(baixo a Silveira) Filho, eu namoro a prima-dona! (alto) Se me perguntarem quem é a prima-dona, não saberei responder; é um anjo e um diabo; é a mulher que resume as duas
naturezas, mas a mulher perfeita, completa, única. Que olhos! Que porte! Que donaire! Que pé! Que voz! SILVEIRA Também a voz? AGAPITO Nela não há primeiros ou últimos merecimentos. Tudo é igual; tem tanta
formosura, quanta graça, quanto talento! Se a visses! Se a ouvisses! MÜLLER E as outras? Tenho uma andaluza... (levando os dedos á boca e beijando-os)
divina! É a flor das andaluzas! AGAPITO Tu não conheces as andaluzas. SILVEIRA Tenho uma que me mandaram de presente.
MÜLLER
Pois, senhor, eu acho que o governo deve aceitar com ambas as mãos a minha proposta. AGAPITO
(baixo a Silveira)
E depois, eu acho que tenho direito a este obséquio; votei com vocês nas eleições. SILVEIRA Mas... AGAPITO Não mates o meu amor ainda nascente. SILVEIRA Enfim, o primo resolverá.
Cena XII
OS MESMOS, PACHECO, BASTOS PACHECO Dá licença? SILVEIRA
(à parte)
Oh! aí está toda a procissão! BASTOS
S. Exa.? SILVEIRA Saiu. Queiram sentar-se. PACHECO Foi naturalmente ter com os companheiros para assentar na política do gabinete.
Eu acho que deve ser a política moderada. É a mais segura. SILVEIRA É a opinião de nós todos. PACHECO É a verdadeira opinião. Tudo o que não for isto é sofismar a situação. BASTOS
Eu não sei se isso é o que a situação pede; o que sei é que S. Exa. deve colocar-se na altura que lhe compete, a altura de um Hércules. O déficit é o leão de Neméia; é preciso matá-lo. Agora se para aniquilar esse monstro, é preciso energia ou moderação, isso não sei; o que sei é que é preciso talento e muito talento, e nesse ponto ninguém pode ombrear com S. Exa.
PACHECO Nesta última parte concordamos todos. BASTOS Mas que moderação é essa? Pois faz-se jus aos cantos do poeta e ao cinzel do
estatuário com um sistema de moderação? Recorramos aos heróis... Aquiles foi moderado? Heitor foi moderado? Eu falo pela poesia, irmã carnal da política, porque ambas são filhas de Júpiter.
PACHECO
Sinto não ter agora os meus artigos. Não posso ser mais claro do que fui naquelas páginas, realmente as melhores que tenho escrito. BASTOS Ah! V. S. também escreve? PACHECO Tenho escrito vários artigos de apreciação política. BASTOS Eu escrevo em verso; mas nem por isso deixo de sentir prazer, travando
conhecimento com V.S. PACHECO Oh! Senhor. BASTOS Talvez... Eu já disse que sou da política de S. Exa.; e contudo ainda não sei (para
falar sempre em Júpiter...) ainda não sei se ele é filho de Júpiter Libertador ou Júpiter Stator; mas já sou da política de S. Exa.; e isto porque sei que, filho de um ou de outro, há de sempre governar na forma indicada pela situação, que é a mesma já prevista nos meus artigos, principalmente o V...
Cena XIII
OS MESMOS, MARTINS BASTOS Aí chega S. Exa. MARTINS Meus senhores...
SILVEIRA
(apresentando Pereira)
Aqui o senhor vem convidar-te para jantar com ele. MARTINS Ah! PEREIRA É verdade; soube da sua nomeação e vim, conforme o coração me pediu,
oferecer-lhe uma prova pequena da minha simpatia. MARTINS Agradeço a simpatia; mas o boato que correu hoje, desde manhã, é falso... O
ministério está completo, sem mim. TODOS Ah! MATEUS Mas quem são os novos? MARTINS Não sei. PEREIRA
(à parte)
Nada, eu não posso perder um jantar e um compadre.
BASTOS (à parte) E a minha ode? (a Mateus) Fica? MATEUS Nada, eu vou. (aos outros) Vou saber quem é o novo ministro para oferecer-lhe o
meu invento... BASTOS Sem incômodo, sem incômodo. SILVEIRA
(a Bastos e Mateus) Esperem um pouco. PACHECO E não sabe qual será a política do novo ministério? É preciso saber. Se não for a
moderação, está perdido. Vou averiguar isso.
MARTINS Não janta conosco? PACHECO Um destes dias... obrigado... até depois... SILVEIRA Mas esperem: onde vão? Ouçam ao menos uma história. É pequena, mas
conceituosa. Um dia anunciou-se um suplício. Toda gente correu a ver o espetáculo feroz. Ninguém ficou em casa: velhos, moços, homens, mulheres, crianças, tudo invadiu a praça destinada à execução. Mas, porque viesse o perdão à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia. Mais ainda: o enforcado, isto é, o condenado, foi em pessoa à praça pública dizer que estava salvo e confundir com o povo as lágrimas de satisfação. Houve um rumor geral, depois um grito, mais dez, mais cem, mais mil romperam de todos os ângulos da praça, e uma chuva de pedras deu ao condenado a morte de que o salvara a real clemência. — Por favor, misericórdia para este. (apontando para Martins) Não tem culpa nem da condenação, nem da absolvição.
PEREIRA A que vem isto? PACHECO Eu não lhe acho graça alguma! BASTOS Histórias da carochinha! MATEUS Ora adeus! Boa tarde. OS OUTROS Boa Tarde.
Cena XIV
MARTINS e SILVEIRA MARTINS Que me dizes a isto? SILVEIRA Que hei de dizer! Estavas a surgir... dobraram o joelho: repararam que era uma
aurora boreal, voltaram as costas e lá se vão em busca do sol... São especuladores! MARTINS
Deus te livre destes e de outros... SILVEIRA Ah! Livra... livra. Afora os incidentes como o Botafogo... ainda não me arrependi
das minhas loucuras, como tu lhes chamas. Um alazão não leva ao poder, mas também não leva à desilusão. MARTINS Vamos jantar.
FIM


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